SÃO PAULO, 15 de agosto de 2022
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Erros em hospitais podem matar mais gente no Brasil do que câncer

Segundo estimativa, falhas durante internações podem ter matado até 434 mil pessoas no Brasil no ano passado. Prejuízo com erros pode chegar a R$ 15 bilhões

Transparência

O problema por aqui é a falta de transparência que pauta o processo. No Brasil, os hospitais não são obrigados a divulgar indicadores de qualidade, como tempo de internação ou número de mortes decorrentes de infecções hospitalares, por exemplo.

“Em qualquer sistema de saúde desenvolvido, essa divulgação é pública. Assim como qualquer empresa de capital aberto tem que mostrar sua demonstração financeira, é preciso ter transparência sobre os indicadores de segurança e qualidade”, afirma Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS.

Eficácia

Além da falta de transparência, hospitais pouco eficientes – e com elevados índices de eventos adversos – podem ser beneficiados pelo método de pagamentos que vigora no Brasil. Hoje, segundo o estudo, o modelo de compra de serviços hospitalares na saúde suplementar remunera o procedimento realizado e não o resultado gerado. Fato que pode favorecer estabelecimentos que mantém pacientes por mais tempo internados, por exemplo.

Suponha que uma pessoa é internada para tratar uma pneumonia, mas acaba contraindo uma infecção hospitalar e, portanto, precisa mais passar mais tempo hospitalizado. Em vez de ser punido por não ter prevenido o quadro de infecção, o hospital ganha mais exatamente pelo tempo a mais que o paciente teve que ficar por lá. “A falta de o e esse modelo de remuneração é uma qualidade explosiva que transforma a saúde em uma caixa preta”, diz Carneiro, do IESS.

Um modelo de pagamento comum em outros sistemas é o pagamento por diagnóstico e por performance. Por meio dessas modalidades, cada diagnóstico e risco têm um preço definido pelas operadoras e “se o paciente tiver alguma piora até o desfecho, o prestador do serviço recebe menos”, diz o especialista.

Para evitar manobras para melhorar os indicadores, como dar alta para pacientes que deveriam continuar hospitalizados, esse sistema pode penalizar os hospitais em casos de novas internações em até 30 dias devido a complicações – já que isso pode denotar que o problema não teria sido resolvido em um primeiro momento. Na rede pública, segundo Carneiro, tal método poderia ser utilizado para alocar mais recursos em hospitais com maior produtividade ou com especializações mais complexas, como é feito no sistema português.

O estudo estima que, por ano, o sistema de saúde complementar perca  entre 5,19 bilhões e 15,57 bilhões de reais com esses problemas decorrentes de erros de processo em hospitais. “O caro em medicina é o que a gente não consegue entregar”, afirma Couto.

Fonte: Exame – http://exame.abril.com.br/brasil/erros-em-hospitais-podem-matar-mais-gente-no-brasil-do-que-cancer/

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